Estive entre os dias 24 e 25 de maio de 2010, na cidade de Caxias do Sul – RS no evento indicado no título dessa postagem. A grande decepção foi a ausência do principal palestrante, Fernando Báez. Ignácio Martinez, escritor uruguaio, ficou com a missão de substituir Báez. O título da sua palestra foi: “Los pueblos que no tienen memoria, sucuben hoy y no construyen su futuro”. Ele falou sobre a história da memória e do seu registro, sobre a importância da leitura independentemente do suporte e deu uma ênfase para o livro. Foi uma palestra sem muitas novidades, mas com muita empolgação e poesia, duas suas e uma de Pablo Neruda.
Uma grande palestra foi “Leitor benévolo… perdoa-me” de Ana Virginia Pinheiro, bibliotecária-chefe da divisão de obras raras da Fundação Biblioteca Nacional. A partir do título da sua palestra ela enfatizou a importância que os escritores davam aos leitores, sempre escrevendo algo introdutório na obra, indicando falhas ou perfil de leitor, o que chamamos hoje de prefácio. Mostrou alguns trabalhos de restauração da divisão que chefia e a importância de divulgar esses trabalhos para conseguir financiamento para projetos, pois não há verba disponível. OBS.: a paletra foi resultado de um desses eventos de divulgação do acervo.
Cléo Busatto, falou sobre “A arte de contar histórias no século XXI”, tema de um dos seus livros. Iniciou a palestra contando uma história, lenda do folclore alemão que faz parte dos escritos dos Irmãos Grimm e enfatizou a necessidade da forma, como elemento necessário para atrair novos leitores. Ou seja, a oralidade como elemento para levar conhecimento. Mas, o grande destaque ficou para a questão do ciberespaço. A autora entende que as tecnologias digitais são o futuro da contação de histórias.
O evento foi finalizado com um debate entre os palestrantes, que incluiu também a bibliotecária-chefe da Biblioteca Pública Municipal Dr. Demetrio Niederauer de Caxial do Sul, Maria Nair Cruz, a bibliotecária Morgana Marcon, diretora da Biblioteca Pública do Estado do RS e o escritores Delmino Gritti e Jayme Paviani, de Caxias do Sul, RS.
O tema do debate, proposto pela Bibliotecária Maria Nair, foi sobre a preservação da memória através do acervos das bibliotecas. A ênfase ficou nas questões políticas que atrapalham investimentos nesse setor, mas também falou-se da postura do profissional e da sociedade, o primeiro que precisa ir além, propondo projetos e buscando outras fontes de investimento, além da necessidade de colocarem as bibliotecas no contexto digital, e o segundo que não reinvidica investimentos para as bibliotecas e a cultura de forma geral. Frase de Ana Virginia sobre o temas: “cada cidade tem a biblioteca que merece”.
Os escritores (Martinez, Gritti e Paviani) focaram seus comentários na leitura e no livro, afirmando principalmente que a preocupação deve ser sempre da prática da leitura e preservação da memória, independentemente do suporte ou instituição.
